Entenda o mormo, doença equina que ameaça desfiles no RS

Entenda o mormo, doença equina que ameaça desfiles no RS

Mormo não tem tratamento e exige que o animal seja sacrificado.
Doença foi detectada em junho em um cavalo e pode contaminar humanos.

A ameaça da proliferação de uma doença nos cavalos, que pode atingir os humanos, tem feito com que desfiles farroupilhas programados para o dia 20 de setembro sejam cancelados em municípios gaúchos.

A menos de um mês da data, pelo menos treze cidades já decidiram não realizar o evento. Doença considerada de difícil controle, pois não tem tratamento, o mormo é letal para os animais e para as pessoas. Mesmo assim, o risco de uma epidemia é considerado baixo se houver o controle, realizado por meio da apresentação de exames negativos para a doença.

“Se tiver um desfile e a organização conseguir garantir um controle, a chance de ter um problema é mínima”, comenta o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS), Rodrigo Lorenzoni ao G1.

Envolvido nas discussões sobre a doença, o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) orienta que sejam realizados os eventos, com o devido cumprimento da norma que obriga a realização do exame nos animais desde junho deste ano. Em Porto Alegre, o desfile farroupilha está confirmado para a manhã do domingo, 20 de setembro.

A preocupação no Estado começou a partir da confirmação, em junho, de que um animal estava infectado em Rolante, no Vale do Paranhana. Desde então, estima-se que já foram realizadas mais de 10 mil análises de sangue dos cavalos. Segundo o responsável pelo programa de sanidade equina da Secretaria da Agricultura e Pecuária do Estado, Gustavo Diehl, atualmente há 14 suspeitas aguardando o resultado dos exames. Antes do caso confirmado em Rolante, o Rio Grande do Sul nunca tinha identificado a presença da doença. “Se não houver um foco novo em seis meses, pedimos para retomar o status de Estado livre da doença”, explica Diehl.

Para o presidente do MTG, Manoelito Savaris, os proprietários dos cavalos devem realizar o exame e retirar a Guia de Trânsito Animal (GTA). E, mesmo que haja redução no número dos participantes nos eventos, eles devem ser mantidos. O presidente do CRMV ressalta ainda que o valor do exame deve ser ponderado e que deve ser considerada a importância dele e a possibilidade de evitar a disseminação do mormo pelo Estado.

“Se fala em R$ 100 ou R$ 200, pois depende da região e do laboratório, mas o que tenho dito é que o valor é irrisório se comparar com o valor da vida do animal ou de um ser humano”, afirma Lorenzoni.

Entenda a doença:

O Mormo
É uma doença infecciosa que acomete, principalmente, os equinos. Ela não tem vacina, nem tratamento, e é causada pela bactéria Burkholderia mallei que é rapidamente inativada pelo calor, raios solares diretos e por desinfetantes comuns como hipoclorito de sódio. Sua sobrevivência pode ser prolongada em ambientes molhados e úmidos.

A doença é transmitida pelo contato com o material infectante, tanto diretamente com secreções do doente, quanto indiretamente por meio de bebedouros, comedouros ou equipamentos contaminados.

A doença nos animais
Em animais, o mormo normalmente se manifesta logo após a infecção. Não há tratamento e o animal precisa ser sacrificado e cremado no local onde estava. A área deve ser desinfetada, assim como todo o material que esteve em contato com o animal.

“É uma doença de fácil disseminação de cavalo para cavalo. Se ocorrer um surto da doença, vamos sacrificar um grande número de animais, porque também não existe vacina”, explica Rodrigo Lorenzoni, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS).

A doença nos humanos
Em humanos, a doença normalmente se manifesta em até 14 dias. A contaminação acontece pelo contato com animais doentes, fômites contaminados, tecidos ou culturas bacterianas em laboratórios. É preciso que ocorra o contato específico para que a doença seja transmitida, por exemplo, por meio de feridas e abrasões na pele.

“Para se contaminar tem que ingerir a secreção contaminada ou, por exemplo, manipular o animal com um corte na mão. É uma doença entendida como laboral, porque quem pode se contaminar é quem tem contato muito direto com os equinos, como tratadores, veterinários, ou quem manipula material em laboratório. Não é o fato de o animal ter (a doença) que quem estiver perto vai se contaminar”, afirma Rodrigo Lorenzoni, presidente do CRMV.

O indivíduo contaminado fica febril, com pústulas cutâneas, edema de septo nasal, pneumonia e abscessos em diversas partes do corpo. É uma zoonose de difícil tratamento, sendo, quase sempre, fatal.

Confira as cidades do RS que já cancelaram o desfile farroupilha com animais: Bagé, Caçapava do Sul, Candiota, Ciríaco, Coxilha, Dom Pedrito, Júlio de Castilhos, Passo Fundo, Piratini, Santa Maria, Santana do Livramento, São Borja e Vacaria.

Fonte: Comissão de Saúde Pública do CRMV-RS/G1

Foto: Henrique Noronha/CRMV-RS

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